Voodoo Glow Skulls, no Hangar 110, 10.08.13

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É sempre bom recebermos em nosso país bandas que, além de produzirem músicas que agradam nossos ouvidos, também fazem parte da história do seu estilo musical, ou até melhor que isso, têm seu próprio estilo musical. Um belo exemplo disso é o Voodoo Glow Skulls, que nesses dias veio tocar no Brasil depois de mais de uma década desde sua última vinda, no comecinho dos anos 2000. Ícone do ska nos anos 90 (e até hoje), os norte-americanos do VGS misturam, em sua sonoridade, elementos do típico hardcore californiano com pitadas de música latina, sempre com uma forte e gostosa dose do bom e velho ska fazendo a transição. É o que alguns chamam de “West Coast Skacore Sound”. Mas, cá entre nós, quem liga pra rótulos quando a música é boa?

Vale lembrar que uma aguardada turnê do Voodoo Glow Skulls pelo Brasil foi cancelada em 2012, por motivos até hoje escusos, já que a banda culpou a empresa responsável pela organização por não providenciar toda a burocracia necessária para a viagem, e a empresa, por sua vez, alegou que tudo foi feito corretamente e que a iniciativa do cancelamento surgiu da banda, sem motivo aparente. Por conta disso, os muitos fãs que já tinham comprado ingresso (inclusive este que vos escreve), tiveram que devolvê-lo e pegar seu dinheiro de volta.

Porém, em julho deste ano, a frustração causada pelo cancelamento de 2012 deu lugar a uma nova expectativa: as produtoras Highlight Sounds e Gig Music e a própria banda confirmaram as datas de uma turnê brasileira do Voodoo Glow Skulls: de 7 a 11 de agosto, o grupo tocaria em Santos, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre.

10 de agosto, véspera do Dia dos Pais, foi o dia escolhido para a capital paulista receber os californianos. O local do show foi o lendário Hangar 110, e, vamos combinar: não há lugar mais adequado pra um show do VGS do que o Hangar, já que a casa é famosa por servir de palco pras mais variadas e aclamadas bandas do cenário underground mundial. A abertura da noite ficaria por conta dos paranaenses do Abraskadabra, que têm em seu currículo participações em shows do Streetlight Manifesto, Fishbone e outros nomes gringos que já tocaram em solo tupiniquim.

Assim que subiu ao palco, quando o Hangar ainda não estava lotado, o Abraskadabra começou a destilar seu skacore com letras em inglês, marcantes riffs de guitarra e dançantes melodias provindas dos metais, o que fez com que a galera presente na casa se animasse e “balançasse o esqueleto” com o som da banda, que gravou seu primeiro CD (“Grandma Nancy’s Old School Garden“) no ano passado.

Depois de um ótimo “esquenta” proporcionado pelo Abraskadabra, que arrancou um sorrisão de todo mundo principalmente quando tocou “The Impression That I Get” (cover de Mighty Mighty Bosstones), as cortinas se fecharam e o Hangar começou a se preparar pra ver o Voodoo Glow Skulls.

Pois bem, a banda californiana não decepcionou: pouco tempo depois da saída do Abraskadabra, com a casa já repleta de fãs ansiosos, o VGS entrou com tudo, pra alegria dos

felizardos presentes naquela festa. “Festa” sim, porque o show do Voodoo, mais do que um simples show, transformou todo o lugar numa festa e a galera que tava assistindo num bando de crianças felizes.

Com suas letras abordando questões políticas e sociais e fazendo uso de bastante humor, Frank Casillas (que entrou no palco usando uma máscara de lutador mexicano) e cia limitada executaram pérolas como “Dirty Rats”, “Empty Bottles”, a sensacional “Charlie Brown”, “Voodoo Anthem”, “Human Piñata”, “Baile de Los Locos”, “El Coo Cooi” (as duas últimas com letras em espanhol, como são algumas das músicas da banda), “Shoot the Moon” (bastante pedida pelo público) e “Bulletproof”, entre outras. Assim, a noite se consagrou como uma grande folia, com o vocalista Frank e os demais membros da banda botando o povo pra dançar, pular e fazer o que mais tinha vontade, sempre regado a muita cerveja.

Na boa, arrisco dizer que duvido que alguém possa reclamar de qualquer coisa daquela noite, já que, ao final do show, deu pra ver a cara de alegria de cada um que presenciou aquela festa do ska-punk (ou sei lá como você prefere rotular o som dos caras). Enfim, o Voodoo Glow Skulls fez jus a toda a ansiedade que os fãs estavam sentindo desde o anúncio da turnê, gerando agora a ansiedade pra que eles voltem pra cá em breve e repitam a festa…

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